O sábio Jonas Pahnu sentou-se à sombra de uma mangueira, carregada de frutos saborosos e doces.Daniel, seu discícipulo, sentou-se ao seu lado.
A carga de frutas naquele ano era tão abundante que, mesmo sentados, podiam alcançar as mangas sem esforço. Então o mestre, estendeu a mão e apanhou uma das mais belas mangas, ofereceu-a ao seu discípulo e em seguida apanhou outra para si mesmo. saborearam-nas com prazer, deliciamdo-se com a textura, com o seu sabor doce e imcomparável.
Depois de algum tempo naquela tranquilidade, daniel voltou à sua mania de perguntar ao seu mestre tudo o que lhe vinha à cabeça:
- Mestre! Com que se parece o amor?
- Com uma corrente sem fim.
- Como assim? Quer dizer que o amor nos prende?
- Não, meu amigo, apressado. O amor liberta. Eu apenas disse que o amor parece uma corrente sem fim, porque um elo é seguido de outro.
- Mestre! Não estou a compreender.
- Vou explicar. Porém, antes quero que faças algo: apanha uma boa quantidade de mangas maduras, distribui-as por várias sacolas e vai até à rua. Distribui cada uma dessas sacolas pelas várias pessoas que passarem por ti.
E assim fez. Depois voltou-se para o Mestre e disse:
- volto num instante.
- Não tenhas pressa, daniel. distribui as mangas com prazer, sempre com um sorriso no rosto e observa atentamente tudo o que acontecer à tua volta.
Cerca de uma hora depois, Daniel regressa, radiante e feliz. Entusiasmado, rodeou o Mestre. Eufórico, disparou a contar a sua experiência.
- Calma, Daniel. Ninguém aqui vai tirar o pai da forca. Senta-te e vamos conversar.
Daniel sentou-se e o Mestre perguntou:
- Como foi a reacção das pessoas quando lhe deste as mangas?
- Foi incrível, Mestre. No início, as pessoas não entendiam o que eu estava a fazer, algumas até desconfiaram, mas depois deliciaram-se com o aroma e a visão das mangas e expressaram um sorriso lindo de se ver. Quando agarravam a sacola de mangas, agradeciam com um brilho nos olhos e seguiam para casa cheios de felicidade.
- Houve alguma coisa em especial que te chamasse à atenção?
- Sim, Mestre. O mais bonito ocorreu no final. Eu tinha apenas uma sacola, surgiu um senhor de aparência humilde, para quem eu as entreguei. Mas quase ao mesmo tempo, surgiu um menino maltrapilho, para quem eu tive de dizer que as mangas tinham acabado. Eu já estava a pensar em vir até aqui buscar mais mangas, mas algo extraordinário aconteceu. O senhor para quem eu tinha entregado a ultima sacola, virou-se para o menino e repartiu com ele as suas mangas. O menino saiu feliz, agradecendo e dizendo que as dividiria com a mãe e os irmãos pequenos. Os Seus olhos brilhavam de contentamento, mas nada que se igualasse ao olhar de felicidade daquele senhor que tivera aquele gesto tão nobre. Os seus olhos encheram-se de lágrimas de alegria e tinham um brilho especial.
Daniel não percebera, mas os seus próprios olhos tinham igualmente um brilho especial.
- Muito dem, Daniel. Senta-te aqui e vamos falar sobre o amor.
O rapaz sentou-se com o Mestre e este começou a falar:
- Há alguns meses, encontrei esta mangueira bastante fraca e com poucas hipóteses de produzir boas frutas. Com amor cuidei da mangueira, adubei a terra, tratei as doenças e dei-lhe água abundante. Ela aceitou o amor dos meus cuidados, recuperou, fortaleceu-se e preparou-se para a época de frutificação. Chegou então a época da colheita e a mangueira com todo o seu amor, ofereceu- nos os frutos. Os pássaros fizeram ninhos nos seus ramos, chocaram os ovos, tiveram os seus filhotes e alimentaram- se das saborosas e abundantes mangas. E, por sua vez, manifestaram esse amor alegrando os nossos dias com o seu canto e cores maravilhosas. Hoje estamos aqui sentados e provamos do amor da mangueira, usufruindo a sombra da copa abundante e sadoreando o doce e o perfume dos frutos. Com alegria, apanhas-te as mangas, colocaste-as em sacolas e distribuíste esse amor pelas pessoas que passavam na rua. Presencias-te aquele senhor dividindo a sua cota de mangas ou ainda a sua cota de amor, com aquele menino maltrapilho. Ouviste aquele menino, feliz, dizer que levaria esse mesmo amor para a mãe e irmãos, com quem dividiria as mangas que ganhou. Tu apenas não percebeste que nos teus olhos existe agora um brilho diferente, que reflete o amor que há no teu coração, depois desta expeiência que viveste. E que trouxe também para o meu coração esse amor que colheste na rua.
Daniel sorriu. Ele concordadva plenamente com o que o Mestre dizia.
- Agora Daniel, vou responder à pergunta que iniciou esta conversa. Vou dizer-te com que se parece o amor: o amor parece uma corrente sem fim, porque se propaga continuamente, naturalmente. Quando alguém ou algum ser vivo, como a nossa mangueira, recebe amor, passa também a manifestar, a dar amor.
Mesmo que não perceba, todo aquele que é tocado pelo amor acaba por tocar alguém com amor, assim como os elos de uma corrente infinita que se seguem uns aos outros. E o mundo torna-se um lugar melhor para viver.
- Compreendo, Mestre.
Começava a anoitecer. Os pássaros já se aconchegavam nos ninhos, protegidos pela frondosa e protectora mangueira. Jonas e Daniel levantaram-se e preparavam-se para regressarem a casa. De repente, Daniel parou, deu meia volta e correu em direcção á árvore. Abraçou carinhosamente o seu tronco, beijou-a e disse:
- Obrigado!
Depois correu para dentro de casa, certo de que o seu sono seria tranquilo naquela noite.
Jonas olhou para a copa da árvore e pareceu vislumbrar um sorriso por entre as folhas. Sorriu, enquanto uma lágrima brotava dos seus olhos. Sabia que a sua missão daquele dia estava cumprida e que todo aquele amor permanecia no ar por muito tempo. Acariciou o tronco da árvore, beijou-a respeitosamente e amorosamente e retirou-se.
PoIS e Tu tbm saBe's ke eU te AMO MUITO!
hihi!
<3!
BeiJInhos
S2